Maria Mãe de Deus

“A virgem conceberá e dará à luz um filho que será chamado Emanuel... (Is 7,14) É esta a verdade que nós, Igreja, professamos pelas palavras do símbolo da fé: “Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nascido da Virgem Maria”.

Nestório (380-451) era patriarca de Constantinopla e propagava várias heresias, entre elas, afirmava que Jesus era constituído de duas pessoas, havia duas naturezas desunidas, desta forma, não houve encarnação, Deus não se tinha feito homem e consequentemente Maria seria somente mãe de Cristo enquanto homem, mas não como Mãe de Deus.

Nessa ocasião, surge o Concílio de Éfeso (431), que procurou afirmar a unidade da pessoa de Cristo e a Maternidade divina de Maria (Theotókos). Em reação às heresias de Nestório, em 22 de junho de 431, foi proclamado o dogma da Maternidade divina de Maria. Todas as graças conferidas a Maria o foram em função da maior de todas, a Maternidade Divina.

Este dogma insere Maria à Santíssima Trindade; participa da paternidade do Pai, pois Ela concebe e gera, no tempo, o mesmo Filho, que o gera a toda a eternidade. Ela está unida ao Filho, ao qual dá a existência duma própria substância. “A sua carne, é a carne da mesma Maria” (Sto. Agostinho), é uma gestação propriamente dita, de Maria, é d’Ela que nascerá o Salvador (cf. Lc 1,35). Está unida também ao Espírito Santo, por quem recebe Sua fecundidade: “O Espírito Santo virá sobre você e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra...” (Lc 2,35)

A Maternidade divina, reveste Maria duma grandeza sem igual: “Unida a Cristo por um vínculo estreito e indissolúvel, é dotada da missão sublime e da dignidade de ser Mãe do Filho de Deus, e, por isso, filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo. Por este dom de graça exímia supera de muito todas as outras criaturas, celestes e terrestres” (LG 53). Maria foi tão fiel aos dons de Deus em sua vida que, por isso, encontrou graça diante de Deus (cf. Lc 1,30), tornando-se ‘a escolhida’, atraindo ao Seu seio o Verbo de Deus.

Maria é mãe de Jesus nas duas naturezas (divina e humana). Maria gerou a natureza humana que foi assumida pelo Verbo de Deus. Há uma unidade da pessoa de Cristo, que é uma só pessoa. Assim, Maria não é Mãe somente da carne, mas sim, de toda a realidade de seu Filho, do Deus feito homem. Maria não é a genitora da divindade, mas geradora do Verbo encarnado, Aquela que traz ao mundo com seu “Sim” o Salvador.

Os Evangelhos nos trazem a imagem da Mãe de Deus que acompanha, como discípula, o Filho. Em Lucas, temos um retrato maior do discipulado e a afirmação da maternidade de Maria e sua relação com a obra salvífica (Lc 8,19-21; 11,27-28). A maternidade divina de Maria está intimamente relacionada ao mistério da Encarnação do Verbo, seu filho.

Finalmente, Maria como Mãe de Deus, nos faz refletir muito a ternura, a maternidade, a fidelidade, o cuidado, o amor total por um filho. E Deus que nos ama profundamente, quis entrar na história da humanidade, por meio de Jesus.  Que nossa mãe Maria, nos ajude a termos esperança em Seu Filho Jesus Cristo, e possamos caminhar iluminados pela presença salvadora.

Autor: Hiago Igor - 4º Ano de Teologia