Ministério de Acólito

Breve definição: “O acolitado é um ministério instituído, mediante uma benção específica, para exercer publicamente em nome da Igreja o serviço do altar (Corpo de Cristo na Igreja e da Eucaristia).  A instituição de Acólito, de acordo com a venerável tradição da Igreja, é reservada aos homens. (cf. Ministeria quaedam) 

O Acólito é instituído para auxiliar o diácono e prestar seu serviço ao sacerdote. É apropriado para ele cuidar do serviço do altar, assistir o diácono e o sacerdote nas funções litúrgicas, principalmente na celebração da Missa; também distribuem, como ministro extraordinário, a Sagrada Comunhão quando os ministros mencionarem em CDC n. 845 ou são impossibilitados por doença, idade avançada ou ministério pastoral, ou também quando o número de fiéis que chegam à Sagrada Mesa é tão alto que a Missa seria muito longa. Nas mesmas circunstâncias especiais, pode-se confiar a ele publicamente expor a adoração dos fiéis o Sacramento da Sagrada Eucaristia e depois fazer a reserva; mas não abençoe as pessoas. Ele também pode, quando necessário, cuidar da instrução dos outros fiéis, que por ordem temporária ajudam o sacerdote ou o diácono nos atos litúrgicos que carregam o missal, a cruz, as velas, etc., ou desempenham outras funções semelhantes. Todas essas funções serão exercidas mais dignamente, participando com misericórdia todos os dias mais ardentes na Sagrada Eucaristia, alimentando-se e adquirindo um conhecimento mais profundo disso.

O significado da palavra acólito é (acompanhante, segue), no caso aquele que acompanha o diácono em sua função para ajudá-lo. A diferença dos outros ministérios, é que a do ministério do acolitado não tem atribuições, digamos que autônomas, porque depende diretamente de uma autoridade superior: ele acompanha o diácono no seu serviço auxilia. Sua origem se remonta as grandes Igrejas de Roma e Cartago, que com o passar do tempo o desenrolar da liturgia nas missas solenes papais com muitas funções os diáconos necessitaram de auxílio nos trabalhos inferiores à sua função. Assim, podemos perceber que o ministério do acólito surge como que um desdobramento do ministério diaconal. No início a função própria do acolito, estava ligada ao serviço do altar e da Sagrada Eucaristia. O Acólito, atribuído de maneira particular ao serviço do altar, aprende tudo o que pertence ao culto público divino e tenta capturar seu sentido íntimo e espiritual. De modo que ele se oferece diariamente a Deus, sendo para todos um exemplo de seriedade e devoção no templo sagrado e, com amor sincero, sente-se perto do Corpo Místico de Cristo ou do Povo de Deus, especialmente aqueles em necessidade e doente.

O acolitado é um ministério eclesial instituído, diferente do ministério ordenado(munos), que é traduzido no serviço especifico mediante o mandato da Igreja. Quem é instituído acólito recebe uma benção própria que é um sacramental, a este rito onde se confere a benção ao acólito se atribui uma graça eficaz pela oração da Igreja. Rito que confere ao ministério por meio da invocação o auxílio divino, quer dizer uma invocação de graças unida ao mandato eclesial para o ministério do altar e do Corpo de Cristo na Igreja e da Eucaristia. Este rito produz três efeitos em quem o recebe:

1º graça particular: um auxílio particular de Deus para exercer este ministério, pois a benção da igreja sempre tem sua eficácia.

2º agir em nome da Igreja: uma peculiar forma explicita e pública de mandato, onde ao acólito é confiada a missão de auxiliar o diácono e padre na missa, culto máximo da manifestação pública da fé da Igreja.

3º estabilidade: o acólito tem maior estabilidade no exercício de seu ministério, pois o acólito instituído desempenha um cargo estável e permanente, diferente dos ministros extraordinários da comunhão que são instituídos para um determinado tempo. Mas esta estabilidade não descarta a destituição em determinadas ocasiões por justa causa da parte da autoridade competente, dado que está intuição não imprime caráter e pode ser revogada.

O ministério de acólito tem uma ligação com a igreja num aspecto da vida da comunidade cristã, pois seu ministério na comunidade tem sinal visível e eficaz no auxílio do culto, diferente do ministério ordenado que tem uma função em relação ao povo de Deus como num todo. Apesar de que o acolitado não de limita somente ao serviço do altar, sendo sinal somente ao que refere a este serviço. Ele em certo sentido é também um animador da liturgia na comunidade cristã onde está inserido, orientado pelo Espírito Santo. O acólito deve instruir e preparar convenientemente a todos aqueles que tomam parte ativa na celebração litúrgica. Deve fazer isso sobre tudo com exemplo de um comportamento sério e respeitoso com amor ao Corpo místico de Cristo, povo de Deus, e especialmente com os que sofrem e os enfermos. Pois a liturgia cristã é a forte da caridade. E ao mesmo tempo que é chamado a servir no altar, é também chamado a ser ministro da caridade promotor do culto de Deus em espírito e verdade e por tanto animador da união fraterna. Se espera do acólito a colaboração na distribuição da eucaristia, piedade pessoal, amor a Eucaristia e respeito as normas litúrgicas da Igreja. Também se espera um grande testemunho de amor, respeito e veneração a Eucaristia e por tudo que se refere ao culto da Missa.

O acolitado é um ministério laical, que tem seu fundamento no batismo e constitui uma forma de exercer o sacerdócio comum dos fiéis. Um acólito-seminarista deve ser um leigo consciente das exigências de seu batismo, e o que significa ser discípulo de Cristo e do compromisso que seu batismo o chama na comunidade dos cristãos. Exercendo o ministério de acólito, ele participa de uma maneira mais ativa e comprometida nas celebrações eucarística e demais celebrações da Igreja. Seu serviço no altar, como dito acima não consiste só em ajudar o diácono e o presbítero na celebração, mas também tudo aquilo que se refere ao culto divino: o cuidado na celebrações, em distribuir a Eucaristia aos fiéis e enfermos, o cuidado da formação dos fiéis no que se refere a boa participação nas celebrações, amar a Cristo eucarístico e sua Igreja, o povo de Deus corpo místico de Cristo, especialmente os mais necessitados e enfermos.

Um acólito-seminarista teve também estar comprometido com o processo de sua formação em vista da ordenação. Com a Instituição e com o exercício deste ministério está se preparando para viver uma dimensão muito importante do futuro ministério diaconal e sacerdotal: toda a sua vida ministerial estará relacionada com o serviço de Deus e dos irmãos em tudo o que se refere ao Altar, ao culto divino, a Eucaristia e a Igreja (ver PO 5; PDV 48; DMVP 48-50). Muito corretamente, a carta Ministeria quaedam (cf. n. 11) torna obrigatória a recepção e exercício do ministério do acólito durante os anos de formação no Seminário Maior para a ordem sagrada. A preparação para a celebração da instituição do acolitado, assim como o exercício deste ministério nos diferentes lugares da pastoral durante os anos de formação sacerdotal, é indispensável ​​para imbuir o espírito de Jesus Cristo e seu amor através deste exercício. E mais tarde quando ordenado, no ministério da santificação dos fiéis através dos sacramentos e especialmente da Eucaristia.

Com a recepção deste ministério, o candidato à ordem sagrada adquire um compromisso muito sério com a vida espiritual. O ministério de acolito centra tudo no serviço da Eucaristia e no culto público da Igreja, como auxiliar do sacerdote e do diácono.  Aqui eles concentram, por assim dizer, todas as linhas da espiritualidade do acólito. Mimsteria quaedam (nº 6) exorta-o, então, a "penetrar no sentido íntimo e espiritual" deste culto público da Igreja, a "oferecer-se inteiramente a Deus", ser "um exemplo de dignidade e respeito", "Traga um amor sincero ao Corpo Místico de Cristo... particularmente aos fracos e doentes". Finalmente, ele poderá exercer as múltiplas funções de seu ministério com maior dignidade e generosidade, se ele mesmo vive mais unido e mais perfeitamente identificado com o sacrifício do Senhor. Assim, a práxis deste ministério permitirá ao acólito voltar sua vida mais e mais eucarística, e dizer, ação das gratas a Deus por tudo que ele faz em sua Igreja e especialmente em sua própria vida; mais e mais prestativo, oblativo ou sacrificial, a exemplo do seu Senhor que não veio para ser servido, mas para dar a sua vida em resgate por todos. Todas estas recomendações, o Bispo lembrá-lo-á na homilia da celebração do rito de Instituição, bem como as orações do rito da Instituição. Deste modo, estas disposições e atitudes levaram sempre mais o acólito a um grande amor a Igreja, quer dizer a Cristo total, Cabeça e membros e em especial aos que mais sofrem e levando a prática sempre mais os mandamentos do Senhor. Exercendo bem seu ministério, e se esforçando por captar sempre mais seu sentido de doação, ele será uma fonte de espiritualidade no seu serviço do altar e em todo o seu relacionamento com o templo, a Eucaristia. Bem vivendo também o ministério ele proporcionará crescimento na fé e no amor a pessoa adorável de Cristo, presente na Eucaristia, e a sua esposa a Igreja a qual ele dedicará sua vida para edificar com seu exemplo, entrega total em seu ministério.

 

Funções do acólito

Ao acólito corresponde assistir ao presbítero e o diácono na sua atividade ministerial relativa a celebração e a pastoral da Eucaristia e também:

  1. É próprio do acólito cuidar do serviço do altar através do bom ordenamento das funções litúrgicas, e preparação do que for necessário para a celebração antes do culto, e na arrumação após o culto.
  2. Assistir ao diácono e ao sacerdote nas ações litúrgicas, principalmente na celebração da Santa Missa para favorecer o total e adequando desenrolar da Missa.
  3. Purificar na ausência do diácono, os vasos sagrados depois da comunhão e da Missa.
  4. O acólito tem também a responsabilidade de cuidar quando se necessário, da formação e preparação de quem ocasionalmente ou temporalmente deve exercer algumas funções necessárias na celebração, por exemplo os outros ministros extraordinários e coroinhas: nas funções de levar o missal, a cruz, as velas, o incenso, a caldeirinha de água benta etc. é responsabilidade do acólito preparar essas pessoas com esmero, para que exerçam seu ofício com sincera piedade, boa ordem, espírito litúrgico, e o seguimento das orientações litúrgicas fazendo somente o lhe compete.
  5. Distribuir a santíssima Eucaristia quando o número de fiéis na Missa for grande e o ministros ordenado não conseguir atender a demanda; levar a comunhão aos enfermos; expor o Santíssimo Sacramento publicamente para adoração dos fiéis, mas sem benção, quando for necessário; presidir a Celebração da Palavra na ausência do ministros ordenado e distribuir a Comunhão; invocar a benção de Deus em certas circunstâncias sobre pessoas e coisas, na ausência do ministro ordenado.

 

Importância do acolitado

É um autêntico ministério litúrgico (auxiliar na Missa os ministros ordenados) reconhecido pela Igreja.

 mas não só especificamente litúrgico, mas extra litúrgico, como obras de caridade e beneficentes fora do culto, autentico fruto eucarístico que prolongam a Eucaristia, como visitas aos enfermos, presos, asilos, pobres etc. Também podemos contar como atividades extra litúrgicas o cuidado da instrução dos demais fieis, na formação e espiritualidade dos coroinhas, leitores, ministros, comentadores, salmistas, cantores etc. E o serviço da oração comunitária, ele pode colabora de forma ativa no cultivo da vida de oração paroquial como por exemplo Liturgia das Horas, Leitura orante, animar as novenas etc.

 por isso é muito importante sua recepção e exercício por parte do candidato as ordens sagras. A igreja considera como uma etapa obrigatória para os futuros pastores a recepção e exercício destes ministérios instituídos. Existe uma razão pedagógica a está prática da Igreja: é para que esses candidatos se preparem melhor para as futuras funções da Palavra de Deus e do altar. (AP II) A Igreja considera conveniente e muito oportuno que os candidatos as ordens sacras conheçam e meditem, tanto com estudos como com exercício gradual do ministério da Palavra e do Altar, este duplo aspecto da função do sacerdotal. só assim, eles se aproximarão da ordem sacra mais plenamente conscientes de sua vocação, mais decididos a servir ao Senhor e sua Igreja, cheio de fervor, perseverantes na oração e mais generoso para ajudar seus irmãos em suas necessidades. E deste modo se verá com mais claridade e autenticidade de seu ministério.             

 Disposição espiritual dos acólitos

  • Um grande respeito ante o “Mistério da fé”.
  • Aproximar-se da Eucaristia com um coração contrito.
  • Ser assíduo ao sacramento da penitência em relação a Eucaristia.
  • Ofereça-se a Deus, Pai, no mesmo sacrifício de Cristo na cruz.
  • Receber sempre com grande devoção o sacramento da Eucaristia.

Necessária preparação espiritual do acólito

  • Cultivar uma atitude e disposição pessoal verdadeiramente espiritual frente a Eucaristia.
  • Cultivar e praticar as virtudes cristãs, propicias para qualificar o serviço de seu ministério do altar.
  • Trabalhar seriamente na aquisição dos conhecimentos indispensáveis para ser um competente e eficaz ministro do altar. 

 

Referências:

AD PASCENDUM

MINISTERIA QUAEDAM

Autor: Seminarista Valdinei Rodrigo - 3°ano de teologia