História do seminário

O primeiro bispo, dom Jaime Luiz Coelho, foi nomeado em 3 de dezembro de 1956. Exercia o cargo de cura da Catedral de Ribeirão Preto-SP, quando recebeu, no dia 20 de janeiro de 1957, festa do padroeiro, São Sebastião, a ordenação episcopal.

Consciente de que a religião sobrevive sem templos, mas não sem pregadores, mal rompeu o ano de 1958, lançou-se ao projeto de dotar a diocese de seu seminário próprio, cuja planta inspirou-se, com as devidas adaptações, no seminário de Ribeirão Preto.

A 15 de agosto desse mesmo ano, festa de Nossa Senhora da Glória, lançou as pedras fundamentais do seminário e da catedral, dois blocos de mármore, extraídos das escavações da basílica de São Pedro, no Vaticano, e bentos pelo Papa Pio XII.

A Companhia de melhoramentos do Norte do Paraná (CMNP) havia reservado para o seminário da futura diocese um alqueire de terras, junto ao cemitério municipal. Pela exiguidade da área, bem como pela localização, dom Jaime preferiu outro local. Conseguiu da mesma companhia cinco alqueires no meio do mato, à direita da estrada que ruma de Maringá a Paranavaí. Aí foram construídas algumas casas para funcionários; havia também um pomar, que fornecia frutas para o consumo dos seminaristas. Nos dias de hoje, tantos anos passados e mudanças havidas, onde se situam, além do seminário, pequena reserva florestal, centro arquidiocesano de formação e um auditório com 800 lugares.

No dia 24 de Março de 1962, solene Eucaristia marcou a inauguração do Seminário Menor Nossa Senhora da Glória. Ainda não começara o Concílio Vaticano II: não havia a praxe da concelebração eucarística. O ecônomo, desde cedo, desenvolveu um trabalho de vasto alcance, buscando conferir ao seminário de Maringá uma sólida infraestrutura de manutenção. Desenvolveu a horta já existente e partiu para novos empreendimentos, como granja de ovos e criação de porcos.

Comemorando os dez anos de instalação da diocese, no dia 24 de março de 1967, foi inaugurado o pavilhão de serviços, o segundo do seminário, destinado a cozinha, refeitório, lavanderia e residência das irmãs. As máquinas, de modelo industrial, foram adquiridas com recursos enviados pelos católicos alemães.

O seminário Menor Nossa Senhora da Glória teve duração de sete anos, do início de 1962 ao final de 1968. Seu encerramento representou dolorosa, mas madura decisão. Ao longo desse tempo, 350 alunos foram matriculados, dos quais um somente chegou à ordenação sacerdotal. O prédio foi destinado à realização de cursos, encontros e retiros espirituais do clero e de fiéis cristãos leigos. Quanto a pastoral vocacional, estudantes de primeiro grau, eventualmente interessados em se tornarem padres, passaram a receber acompanhamento dos próprios párocos, sem necessidade de deixarem a casa dos pais.

Desde a instalação da diocese, em 1957, os seminaristas maiores de Maringá eram encaminhados ao Seminário Provincial Rainha dos Apóstolos, de Curitiba. No início de 1969, dele se desligaram, passando a formar o primeiro grupo de seminaristas morando fora do seminário. Num gesto de coragem dom Jaime assumiu os riscos de um modelo formativo ainda não testado, qual seja o da pequena comunidade. Confiante, pressentiu, mais que nunca, a propriedade de chama-la de “Emaús”, nome da aldeia para onde, desiludidos, caminhavam dois discípulos na tarde da ressurreição. Entre as dificuldades do Emaús maringaense figurava a falta de padre formador para residir com os estudantes. Estes, de início, foram abrigados em casa alugada. Logo depois, a diocese adquiriu na Vila Guaíra uma residência localizada na Rua Assis Figueiredo, nº 33. Nela foram alojados os seminaristas que cursavam Filosofia na PUC, e Teologia, no ITC – Instituto de Teologia de Curitiba, junto à igreja Bom Jesus.

A 16 de outubro de 1979 foi criada, sendo instalada em 20 de janeiro do ano seguinte, a Província Eclesiástica de Maringá, composta pela arquidiocese de Maringá e pelas dioceses de Campo Mourão, Paranavaí e Umuarama. Muito cedo se deram conta os quatro bispos de uma mesma inquietação: cada um à sua maneira, todos encaminhavam seus seminaristas para estudo em regiões distantes. Desagradava aos preocupados pastores que membros do seu presbitério se formassem longe da Igreja diocesana.

Um feliz acontecimento trouxe a desejada solução. Como parte das comemorações do jubileu de prata da ordenação episcopal de dom Jaime, da instalação da diocese e da posse do 1º bispo, foi inaugurado, no dia 21 de março de 1982, o 3º pavilhão do Seminário Nossa Senhora da Glória. Deu-se oficialmente concluída a principal obra da Igreja de Maringá.

A conclusão das obras do seminário de Maringá suscitou inevitável questionamento: por que não torná-lo seminário maior provincial, com os cursos de Filosofia e Teologia? A pergunta foi estudada entre os bispos, e optou-se pela criação apenas do curso de filosofia, assim estava praticamente estabelecido o funcionamento, já no próximo ano, do Instituto de Filosofia da Arquidiocese de Maringá, aberto às três dioceses da província eclesiástica.

No final de 1982, entendimentos entre os metropolitas de Londrina e Maringá apontaram a oportunidade de abrir em Londrina, nas dependências do Seminário Paulo VI, um instituto teológico destinado aos seminaristas de ambas as províncias eclesiásticas. O assunto foi colocado em pauta no dia 05 de outubro de 1983 e abriu-se, efetivamente, no início de 1984, o curso de Teologia para o Norte do Paraná, exceto para a diocese de Jacarezinho, que vinha conduzindo modelo próprio de formação para seus seminaristas.

O Seminário Propedêutico foi criado no dia 08 de dezembro de 1992, estabelecido na antiga residência episcopal, na Rua Lopes Trovão, n° 395. Em 1998, transferiu-se o curso Propedêutico para o prédio do Seminário Arquidiocesano.

Depois de onze anos de funcionamento do curso teológico em Londrina, problemas internos tornaram difícil a permanência dos seminaristas de Maringá no Seminário Paulo VI, levando o bispo de Maringá a transferi-los para nova casa de formação e de estudos em Cascavel. Em 1998 mudaram numa casa alugada aos padres jesuítas permanecendo até o final do ano 2003. Num gesto de confiança na formação teológica oferecida, a arquidiocese de Maringá, adquiriu em 2002, uma residência na Rua Capitão Pedro Rufino, 495, no Jd. Europa. Após reforma e ampliação, as novas instalações foram inauguradas na abertura do ano letivo de 2006. Desde 2005 o curso de Teologia passou a ser ministrado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, câmpus Londrina. Em 13 de Junho de 2006, para a comunidade dos estudantes de Teologia da arquidiocese de Maringá em Londrina, o arcebispo dom Anuar Battisti oficializou a nova denominação, antes Emaús, de “ Seminário de Teologia Santíssima Trindade”.

Também em Maringá, para a Filosofia, desde o início do ano letivo de 2006 os seminaristas passaram a seguir o curso oferecido pela PUC-PR, câmpus Maringá.

 

Fonte: Livro: A igreja que brotou da Mata - adaptado por Seminarista Vinícius.