Vocação presbiteral diocesana

Pelo sacramento da Ordem, o presbítero é configurado de modo especial com Jesus Cristo Pastor. A vida e a missão do presbítero são realidades sacramentais, além dos vínculos jurídico-canônicos e funcionais. Originam-se e fundam-se, pela ação do Espírito Santo, no sacramento da Ordem. Sua vida e missão, seu ser e agir decorrem, assim, de graças especiais conferidas por intervenção especial de Deus a pessoas “tomadas do meio do povo, para representar o povo nas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados” (Hb 5,1). “Na sua verdade plena, o presbitério é um mysterium: de fato, é uma realidade sobrenatural porque se radica no sacramento da Ordem. Este é a sua fonte, a sua origem. É ‘lugar’ do seu nascimento e crescimento”. Do ser configurado com Cristo decorre um agir conforme ao de Cristo. “Esta origem sacramental reflete-se e prolonga-se no âmbito do exercício do ministério presbiteral: do mysterium ao ministerium” (PDV, n. 74).

O sacramento da Ordem foi instituído na última ceia com a Eucaristia e em função dela. A Eucaristia ocupa o centro da vida do presbítero devendo ele celebrá-la a cada dia, conforme recomendou João Paulo II, na encíclica Ecclesia de Eucharistia. A Eucaristia é a fonte principal da espiritualidade presbiteral, fundamentando o sentido do ministério do presbítero.

Com o rito da ordenação, o presbítero é introduzido em um novo gênero de vida, que o une a Cristo com um vínculo original, inefável e irreversível e o habilita a agir in persona Christi (PDV, n. 5, 12). Assim, “os presbíteros são, na Igreja e para a Igreja, uma representação sacramental de Jesus Cristo” (PDV, n. 15). Configurado com Cristo, cabeça, pastor, esposo e servo da Igreja, como seu representante e na união com ele, o presbítero tem uma relação especial com a Igreja de Cristo.

53. Em virtude da ordenação, o presbítero torna-se mestre da Palavra, ministro dos sacramentos e guia da comunidade. Em nome de Cristo e em favor da Igreja, exerce esse tríplice múnus, através da mistagogia e da caridade pastoral, levando a comunidade à maturidade da fé, conduzindo-a ao serviço da vida plena.

Em virtude de sua unção sacramental, a relação com Jesus Cristo e, nele, com a Igreja define a vida e a missão, o ser e o agir do presbítero. A partir da configuração com Cristo – e só a partir dela – o presbítero situa-se na Igreja e perante a Igreja.

Pelo sacramento da Ordem, o presbítero deve exercer seu ministério ordenado de “forma comunitária”, em ação conjunta com o bispo, os irmãos presbíteros, os diáconos e os fiéis leigos (PDV, n. 17). Sua atividade ministerial é sempre um “ato de Igreja”, “conexo, por relações institucionais, como também por vínculos invisíveis e por raízes recônditas da ordem da graça, à atividade evangelizadora de toda a Igreja”. Nenhum “evangelizador é senhor absoluto de sua ação evangelizadora, dotado de um poder discricionário para realizar segundo critérios e perspectivas individualistas tal obra, mas em comunhão com a Igreja e com seus Pastores”. Evangelizar não é “um ato individual e isolado, mas profundamente eclesial” (EN, n. 60).

Fonte: Diretrizes para a Formação dos Presbíteros no Brasil – Doc. 93 CNBB